A maioria dos "ERPs com IA" no mercado entrega um chatbot: uma caixa de texto que responde perguntas sobre o sistema. O bitERP tomou outro caminho. Em vez de um chatbot, construímos um time de agentes de IA que opera o ERP junto com o usuário — e a base técnica dessa decisão é o Mastra, um framework TypeScript de orquestração de agentes.
Neste post, abrimos a caixa: por que escolhemos um framework de agentes em vez de um wrapper de chat, como o time de agentes se organiza e o que isso muda na prática para quem usa o sistema todos os dias.
O que é o Mastra
Mastra é um framework em TypeScript para construir agentes de IA. Se o modelo de IA (GPT, Claude) é o cérebro, o Mastra é o corpo: braços, memória e senso de procedimento.
Na arquitetura do bitERP, é o Mastra que nos permite:
- criar vários agentes especializados e fazer um coordenar os outros;
- dar memória ao agente — ele lembra do contexto da conversa e recupera fatos relevantes de conversas anteriores, então o usuário não precisa se reapresentar a cada sessão;
- trocar o modelo de IA por baixo sem reescrever o produto;
- registrar ferramentas que o agente pode usar, desde ler um dado até preencher um formulário na tela.
Esse último ponto merece destaque: não amarramos o cliente a um único fornecedor de IA. No seletor do chat, o usuário escolhe entre 6 modelos de ponta da OpenAI e da Anthropic — GPT-5.5, Claude Opus 4.7, Claude Sonnet 4.6, Claude Haiku 4.5 e outros.
Quer velocidade e economia? Modelo compacto.
Quer raciocínio máximo numa análise difícil? Modelo topo de linha.
Um líder e cinco especialistas
O usuário conversa sempre com um único agente líder. É ele quem entende o pedido e decide se resolve sozinho ou se aciona um especialista — como um gerente que conhece a equipe. São cinco especialistas de domínio:
Um detalhe de engenharia com impacto direto no bolso do cliente: cada especialista roda no modelo de IA do tamanho certo para a tarefa. Uma pergunta analítica complexa usa o modelo mais forte; abrir uma tela usa um modelo leve e rápido. A conta do cliente não paga um modelo caro para uma tarefa simples.
Skills: manuais de procedimento, não prompts gigantes
Cada especialista tem skills — arquivos de procedimento que ele carrega sob demanda, só quando o assunto aparece. Hoje são mais de 15 skills escritas, cobrindo os fluxos de cadastro do ERP.
É a diferença entre "a IA tenta adivinhar como se preenche um cadastro" e "a IA segue o procedimento correto, na ordem correta, com as regras do negócio". E adicionar um procedimento novo não exige reescrever o agente: escreve-se uma skill nova.
Como isso aparece na prática
Cadastrar um cliente por CNPJ. O usuário digita "cadastra um cliente novo, CNPJ 12.345.678/0001-90". A IA declara o plano: consultar o CNPJ, verificar se já existe, preencher o cadastro. Consulta os dados públicos, traz razão social e endereço, verifica duplicidade — e se já existir cliente com aquele CNPJ, pergunta o que fazer em vez de chutar. Depois abre o formulário e preenche os campos na frente do usuário, resolvendo inclusive a cascata país → estado → cidade. Um cadastro que levava cinco minutos de digitação vira uma frase.
Pergunta analítica direta. "Quanto eu faturei em junho? E comparado com maio?" O especialista em análise busca a agregação real no banco de dados da empresa, informa o período exato considerado e a moeda, e narra o resultado. Pediu "mostra num gráfico"? A IA desenha o gráfico direto no chat. Sem montar relatório, sem exportar planilha.
Memória e privacidade tratadas na engenharia
O agente lembra do contexto entre sessões — mas privacidade não é discurso, é arquitetura. Dados pessoais identificáveis são substituídos por marcadores antes de o texto sair para o provedor de IA e restaurados só na hora de exibir para o usuário. O modelo raciocina sobre o caso sem receber o dado sensível cru — e isso vale inclusive para o mecanismo de memória. Cada empresa (tenant) enxerga apenas os próprios dados, com isolamento aplicado no nível do banco de dados, valendo também para o que a IA consegue ler.
O corpo precisa de mãos: entra o AG-UI
O Mastra orquestra os agentes, mas há uma segunda peça nessa arquitetura: o AG-UI, protocolo aberto que liga a IA à interface e faz ela agir na tela em tempo real — abrindo formulários, aplicando filtros, desenhando gráficos, sempre de forma visível e interrompível. Contamos essa parte da história no post IA agêntica no ERP: o protocolo AG-UI por dentro do bitERP.
Por que isso importa para quem escolhe um ERP
Um chatbot acoplado a um ERP responde perguntas. Um time de agentes construído sobre infraestrutura como o Mastra executa trabalho: cadastra, analisa, navega, emite — mostrando cada passo e pedindo confirmação explícita antes de qualquer ação crítica. A IA executa e mostra cada passo; ações críticas exigem a sua confirmação. Não substitui a sua equipe: reduz o trabalho manual repetitivo dela.
O bitERP nasceu AI-First, com interface em 3 idiomas (português, inglês e espanhol) e arquitetura preparada para múltiplos países. Se você quer ver o time de agentes trabalhando no seu ERP, conheça o bitERP.


